2.11.11

Eu, Fernanda M. Só por hoje.

Ola, meu nome é Fernanda Magalhães, e só por hoje me proponho a não usar, tocar ou sequer pensar nela. Fiquei limpa por longos 23 anos, mas no 24° não resisti, e me lambuzei. Ela chegou de surpresa, de mansinho, sem hora e local marcado, mas sempre com aquela doce sensação das possibilidades infinitas. Pegou-me em um momento, que tudo parecia igual, morno, sem grandes emoções.
Começamos curtindo um rock, a batida do tesão, dos orgasmos lúcidos e multiplos. Eu me sentia cada dia mais dependente das viagens sensacionais que ela provocava em mim.
Confesso que já havia experimentado algo parecido, mas em doses menores, insignificantes, eram apenas diversões sem nenhum apego, mas Ela, Ela era diferente: Impulsiva, quente, vislumbrada.
O uso diário foi me libertando de alguns pudores, e assim, me tornei Fêmea, Mulher, Puta, Devassa, Cachorra, Saciada, Curiosa, Feliz, Completa.
O efeito dela me levava a lugares jamais antes experimentados, tive os maiores, e mais longos orgasmos nunca imaginados, o único problema era que ela me deixava sempre querendo mais, ao ponto de querer usá-la no transito, no banheiro do meu trabalho, na cozinha da minha casa, na sacada do meu quarto, no sofá da minha sala, na minha mesa de trabalho.
Gostava do quê ela provocava em mim, no meu corpo, na minha mente, na minha alma.
E quando ela chegou à minha alma, perdi o controle sobre ela, já não a dominava mais, ultrapassava barreiras, perdia o controle, uma mistura de sensações ótimas e terriveis.
Então quando percebi que ela estava dominando minhas emoções e atitudes. Em um momento de lucidez, a procura de mim mesma e sem saber em que ponto me perdi, sem nenhuma emoção dependente, resolvi me libertar.
Eu sei que o processo é longo, é demorado, requer paciência, e vontade. Sei que, ainda estou frágil, sei que haverá recaídas, mas sei que posso e vou conseguir. Sei que vou. Vou?