Relacionamentos amorosos sempre são importantes na nossa vida porque precisamos das pessoas para evoluir. Na Terapia de Vidas Passadas percebemos que muitas vezes cruzamos com as mesmas pessoas ou com o mesmo tipo de situação afetiva que se repete até que tenhamos consciência do tipo de energia e intenção que estamos colocando na vida. Não somos frágeis vítimas do destino. Claro que não controlamos tudo, mas se compreendemos nossas atitudes podemos mudar a raiz de tudo isso. Vale lembrar que nem sempre resolvemos nossas questões pelo aspecto racional.Todos queremos o amor que flui do coração com harmonia, as conversas que acontecem sem um duplo sentido de interpretação ou de visão, um carinho que de fato aconchega. Esse é o ideal de um amor. Algo leve, suave e tranqüilo, mas na realidade poucas são as relações que geram esse tipo de energia.
O tempo, como dizem os Mestres, é um grande escultor e a paciência o seu cinzel. Mas o que fazer com a nossa personalidade tão desejosa de exercer o controle e cristalizar os fracassos e derrotas? Há muitos anos, aprendi com o meu "Pai" que devemos trabalhar com metas. E essa verdade assumida temerosamente por mim doeu muito em meu interior porque na época não sabia o que fazer, não tinha metas, portanto, também não sabia ao certo o que desejar. Como fazer planos para o futuro se as coisas do meu presente não eram claras?
No ultimo feriado (dia das crianças) eu e alguns amigos fomos para a chácara da minha Dinda. Numa conversa com a minha amiga Olga, ela falou em desabafo;
“Amar pode parecer muito fácil. Já me apaixonei muitas vezes. Namorei vários rapazes, mas quero um encontro de alma. Algo que valha a pena. Mas para ser sincera sei que estou fechada”.
Disse ela olhando para o nada. “Não quero mais sofrer e tenho medo de criar expectativas em vão”, completou com voz triste.
“Minha vida não dá certo. Sofro demais por amor”, disse ela ainda se lamentando.
“Olga, você quer continuar sofrendo ou está pronta para sair do sofrimento?” Perguntei num tom firme, quase desafiador. Ela estava tão envolvida no seu sofrimento que parecia mergulhada no escuro. ” Não sei se entendi o que você me perguntou”, disse ela parecendo que estava ganhando um tempo para raciocinar.“
Quero saber se você deseja sair dessa dor”, disse explicando minha pergunta.“Acho que quero, mas não sei como ficar ainda com o Julio, pois ele parece que não quer voltar”, disse ela baixando os olhos, pensando no namorado. Não estava falando do namorado dela, nem imaginando se de fato ela deveria aceitá-lo de volta porque o moço não estava em questão. O que pesava era entender porque a minha amiga se deixava levar pelo sofrimento sem esboçar uma recusa em continuar por um caminho escuro como esse. Expliquei para minha amiga que podemos sim escolher como conduzir a nossa vida. Podemos dizer a nós mesmos o que pensar. Podemos definir dentro de nós a importância que daremos às coisas. De fato, não podemos modificar as escolhas e atitudes das pessoas porque cada um tem seu mundo, mas podemos mudar a forma que agimos a respeito daquilo que nos fazem. Podemos ficar com muita raiva de alguém e fazer uma briga ou podemos deixar as coisas acalmarem e depois com a cabeça fria tomar uma atitude. Podemos e devemos domar nossa natureza inferior. Não devemos agir com impulsividade pois o impulso é apenas uma força animal que conduz o nosso corpo anímico, mas e a nossa mente? E a nossa capacidade de pensar e discernir? Precisamos desenvolver a mente e as emoções. Tudo isso ajuda na hora do sofrimento. É possível nos identificarmos muitas vezes com o caso de minha amiga Olga que se sentia abandonada e triste depois de uma relação que minou sua auto-estima, mas somos capazes de nos levantar e dizer para nós mesmos que não vamos dar espaço para um sofrimento maior sem data de término. Tudo tem um tempo e temos o poder de determinar a finalização de uma experiência. Por que sofrer tanto assim? Por que se deixar levar pela onda negra do desafeto? Quando a dor penetra nossa mente e nossos corações devemos voltar à atenção ainda mais para o nosso interior e encontrar a fonte de toda a luz. Deus no coração. É isso que falo nos meus grupos na comunhão espírita. Os Mestres de Luz dizem que podemos aprender com tudo o que a vida nos traz, inclusive o sofrimento.
Claro que nem tudo dependerá das nossas atitudes porque existe um karma, uma vibração que aproxima as pessoas, mas se agimos com tranquilidade sem fantasiar demais o nosso destino até o karma passa a vibrar a nosso favor.
Sou obrigada a dizer que é devido a criarmos expectativas erradas sobre o outro. Muitas vezes até manipulamos a visão que temos das pessoas para adaptar aos nossos sonhos e imagens internas; enfim, inventamos o outro. Os Mestres de Luz ensinam que as pessoas vêm para nossa vida como elas são, mas nós as interpretamos e, sob o efeito da ótica do amor, costumamos maximizar as qualidades e encobrir aquilo que nos desagrada. Óbvio, isso não é um processo consciente, pois queremos tanto que o amor dê certo e acabamos nos precipitando no caminho sem volta de conhecer o outro.
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