19.2.12

Tolerância Zero, a praga do prog rock.



A teoria é a seguinte: A tolerância a certos gêneros musicais vai diminuindo a medida que vamos envelhecendo. Pra mim, uma ouvinte ávida e eclética, que escuta desde canções folclóricas do Yêmen até The Brazilian Girls, a teoria se aplica a diversos estilos. Mas a nenhum com tanta veemência quanto ao… Prog Rock. Isso aí. Kiss my delicious ass, amantes de Pink Floyd, Focus, Procol Harum, Premiata Forneria Marconi, Emerson, Lake & Palmer, King Crimson e afins. Eu simplesmente NÃO CONSIGO mais escutar um prog rock por 2 minutos que seja (e isso, em termos de prog rock, equivale a praticamente a 1/4 da introdução da música…)

Tudo começou, ontem, sábado de carnaval atualizando a minha lista de musicas  no Last.fm (sim, eu tenho uma e, modéstia à putaqueospariu, é bárbara). E começou a tocar Aqualung, do Jethro Tull. Meu nível de estresse foi à toposfera. Juro, se estava la, é porque já curtir, e muito!

Pra mim, prog rock se resume basicamente a um tipo de masturbação musical… horas e horas num mesmo acorde, um mesmo efeito de teclado, uma notinha de flauta ou até em vocais estranhíssimos (como os do Focus na famigerada ‘Hocus Pocus’, por exemplo). É claro que a musical masturbation não se aplica somente ao prog.

Guitarristas, como aquele imbecilóide do Yngwie Malmsteen, são versados nisso. Só falta tocar a guitarra com peidos. Um peido em fá, um peido em sol…em mi menor, ré com sétima…e por aí vai. Horrível. O jazz tem isso de monte também, não me venham dizer que não, ainda assim não chega a ser tão irritante. A questão é: Precisa? Puro exibicionismo. O cara faz uma música durar, sei lá, 40 minutos e quando você pega a tablatura/partitura da bicha, (só pra ter certeza) e vê a variação de acordes, tá lá: Dois ou três, no máximo. Isso não é nada. Os caras querem inovar mesmo, é no ritmo, claro. 


A música começa num, vá lá, 4/4 básico e termina num “prog do roqueiro doido”, cheio de quebras rítmicas, longas pausas (eu já fui enganada várias vezes, pensando que a música havia chegado ao fim, quando de repente levava um baita susto com um solo de guitarra ou teclado vindo do nada…), o maldito “syncopation”: escalas absurdas, tempos sobrepostos, do tipo: 5/8-7/8-5/8-5/8-7/8…quem estudou/estuda/entende música sabe…é de enlouquecer. Ok, não tiro o mérito dos caras. Nem poderia. A maioria dos grandes prog são diabolicamente difíceis de serem tocados. É preciso, no mínimo, ser uma mistura de Mozart e Einstein pra compor e interpretar músicas assim. Coisa de gênio. Por isso mesmo enche o saco.

Eu sei, eu sei. Vocês querem me queimar em praça pública, de preferência ao som de “Garden of Dreams” do Flower Kings (detalhe: a música tem 64 minutos divididos em ..18 seções…) Eu sei que o prog foi uma puta inovação quando surgiu como evolução do psychadelic e que tem em seu DNA grandes estilos como jazz, música clássica, e até um pouco de metal e country. Eu sei que “a onda” nos anos 70 era gerar álbuns conceituais como The Lambs Lies on Broadway do Genesis (em tempo: amo Genesis…mas, mais pra fase pop) ou Metropolis, do Dream Theater (esses eu odeio..ergh), com letras densas, praticamente poesias concretas, que falavam de viagens astrais, alienígenas, ácido, guerras, traumas…

Mas enfim, apesar de saber tudo isso, eu SIMPLESMENTE ODEIO, não tenho mais paciência! Já passou o tempo, os anos 70 produziram grandes, grandes bandas, muitas delas eu amo muito, por outras eu simplesmente tenho asco, mas o prog rock, hj em dia, parece uma máquina de escrever esquecida no almoxerifado de uma fábrica de computadores. Hoje, toda a tecnologia que eles usavam, desde teclados, canhões de laser à telas com projeções enigmáticas e subliminares não são mais nada perto da música eletrônica, por exemplo. Só referência.


Eu gosto de algumas músicas do Pink Floyd (Comfortably Numb), do Rush (várias…quase todas de Moving Pictures) e do Genesis então, muitas. (Carpet Crowlers, está entre minhas prediletas ever), gosto até de Yes!(algumas..) mas, hoje em dia, depois de ouvir putaquilhões de bandas dos quatro cantos do planeta (muitas que, inclusive bebem diretamente da fonte do prog rock…e o melhoram…como o Radiohead) eu cansei. É isso.Cansei de demostrações megalomaníacas de talentos dados pelos deuses. Quero algo possível.


 Hoje ouvindo Aqualung, tive vontade de enfiar aquela maldita flauta no cu do Ian Anderson. Será que tô louca? TPM não é, juro que não. É Tolerância Zero, a praga do prog rock.

PS. "pode ser só uma fase... assim como já gostei, posso voltar a gostar"











É impossível não amar, nós, as mulheres.

Leais, loucas e lisas.
Ao som de The Distillers. 
                         

É impossível não amar as mulheres. A complexidade apaixonada. A objetividade sensual. Uma fofura que arranha... Musas choronas. Deusas mimadas. Com a mãozinha na cintura, dando bronca calada ou fingindo que nunca dói. Quem, se não elas, diz que está tudo bem engolindo o ódio? Quem, se não elas, se desespera e chora por causa de um sapato?
São invertidas, são lisas, tão doce quanto mentirosas. Leais e venenosas. São cínicas, todas gordas e facilmente contornáveis com um enlace de um abraço. São mudas quando querem gritar e gritam quando deveriam estar mudas. É fofo o jeito como se enfeiam ao se arrumar e é muito lindo o jeito como se embelezam ao desnudar. Como não amar?
Conturbadas e falantes, plenas de uma insegurança crônica. Parceiras sorrindo cúmplices pela primeira vez, ou gargalhando junto dez anos depois. Mas sempre loucas e sem nexo. Absolutamente irrecusáveis. Absurdamente contestáveis. E, muito provavelmente, irreparáveis.




17.2.12

Eu sou um doce.





Sou melindrosa, voluntariosa, fresca, sarcástica, agressiva, chorona, resmungona, posso ser inescrupulosa, irredutível, intolerante, intolerável, por vezes posso parecer mimada, por outras sou miseravelmente carente.


Sou rebelde, indomável, transgressora, delinquente, imatura, hiperativa, cansativa, orgulhosa, arrogante, imprudente, desavergonhada, descarada, impassível, feroz, rude, estúpida, sem educação, grossa, anti-social, irritante, atrevida, posso ser nojenta, violenta, antipática, e quando me dá na telha posso ser terrivelmente inconveniente.


Teimosa, às vezes ciumenta, se quiser, incrivelmente persuasiva, manipuladora, sedutora, sacana.


Dissimulada, mentirosa, infiel, maliciosa, vingativa, falsa, fria, calculista, abominável, torpe, horrível e depravada eu normalmente não sou. Mas sou capaz de ser.


Herege, psicótica, obsessiva, tendenciosa, suja, baixa, feia, maldosa, doentia, opressiva, obscura, perigosa, impossível, estressada, subversiva, cruel, egoísta, ególatra, desumana, impaciente, amoral, imoral, libertina, hedonista, ignorante, impiedosa, insensível, indômita.


Monstruosa. Inominável. Desprezível.


Eu posso ser assim.


Sou capaz de ser tudo isso que descrevi.


Na verdade sou um pouco de cada, em doses mínimas, que combato dia a dia por meio de tantas outras virtudes que não listei aqui. Às vezes com sucesso…às vezes não.


Faço constantemente esse exercício frente ao espelho, afim de manter o equilíbrio da minha mente e do meu espírito.


Imagino situações absurdas, capazes de me fazer assumir alguns desses papéis. Reflito sobre como agiria.


Assumo minha parcela de perversidade, minhas anomalias, minha humanidade, meu Yang.


E aí respiro fundo, fecho os olhos e penso que não preciso ser assim, se não quiser.


Mas posso ser, se quiser.


E essa liberdade, de poder escolher, todos os dias, o que/quem/como vou ser/agir/pensar/sentir me faz  muito, muito bem.


E razoavelmente satisfeita com quem eu sou.


É isso.




28.1.12

A maior pornografia que existe é o amor.

Ouvindo Let’s Get it On, do Marvin Gaye. 

O amor acontece quando você não tem nojo de saborear toda a pessoa, sem cerimônias ou limitações.



Estou numa festa de gente fina, elegante e sincera. Mentira. Estou numa festa de gente metida a fina, a elegante e a sincera. Visto uma saia mais curta que meu talento para esse tipo de festa. Escolho minha presa e o convido para ir até minha residência. Ele é alto, forte e tem o queixo quadrado. Ele não quer que eu tire o salto alto nem a saia. O resto todo eu posso tirar. Transamos no sofá novo e roxo que comprei. Não lembro se o nome dele é Alan, Aldo, Álamo ou Wally. Não consigo gozar porque estou preocupada demais com os dois segundos em que nos encostamos sem camisinha. Não sei quem é esse cara. Ele não é divertido, ele não tem senso de humor, não é charmoso e acha que contar esse papinho furado sobre ser um “executivo que surfa” é o que faz mulheres darem pra ele. Não existe nada mais clichê do que ser um “firma” metido a “amante do esporte e da natureza”. Pode até funcionar com algumas moças deslumbradas e igualmente ocas, mas o que me fez dar pra esse sujeito, além de tédio existencial, não tem absolutamente nada a ver com o que ele possa vir a pensar ou falar ou fazer. Foram os ombros largos e a bunda seca. Odeio homem com ombros curtos e bunda grande ou empinada, tipo pagodeiro. Gosto de homem com costas longas e bunda magrela. Homem não tem que ter bunda grande, tem que ter carteira cheia.

Ele quer agora transar em pé. Não achamos uma posição, não temos intimidade, não temos nada. Não temos mais nem vontade de transar. O efeito da bebida passou e agora somos dois estranhos tentando disfarçar a angústia profunda de fazer amor sem amor. Nada disso é erótico, sensual. “Ah, peguei um gostoso numa festa e levei pra casa!” Grande coisa. Você perdeu um tempo precioso em que poderia estar curtindo um bom livro no quentinho acolhedor da sua caminha. A única putaria possível, fazemos com quem amamos. A maior pornografia que existe é o amor. Só no amor é possível ficar enlouquecido de tesão com uma mancha estranha nas costas da pessoa, com um pelo solitário que você encontra em algum centímetro de pele escondida, com uma posição que não favorece a barriga, com pés tortos e caretas estranhas. O amor acontece quando você não tem nojo de saborear toda a pessoa sem cerimônias ou limitações. O amor é quando não se pensa no sexo, apenas se faz para não morrer. Amor é sexo não cerebral, um fluxo ignorante que nos liberta completamente. Amar é nunca ter que pedir: “perdão, você pode tomar um banho?” Amar é infinitamente mais sujo, perverso e doentio do que transar com qualquer pessoa suja, perversa e doentia num banheiro de uma balada suja, perversa e doentia. Aquilo que você faz, num lençol branco e limpinho, com a pessoa que você conhece há tantos anos, é muito mais perigoso que uma loucura com um desconhecido qualquer. Essa putaria rolando solta pelas noites afora não passa de desculpa medíocre de gente que sente inveja do amor. O amor é para os verdadeiros aventureiros, corajosos, desbravadores. O sexo selvagem e casual é coisa de menininha.



19.1.12

Um dia lindo...




Hoje, recebi a visita de amigos (as) aqui na minha casa. Amigos (as), que ainda não tinha encontrado neste inicio de ano. Almoçamos, jogamos, gargalhamos, e colocamos as ultimas novidades, em dia. Foi incrível!

Amigos, família, se existe abrigo melhor, desconheço. Obrigada, universo!E, é por isso que esse ano, eu quero que as coisas aconteçam.  Quero abraços apertados e beijos molhados, quero risadas e Chopp gelado num dia de sol. Quero cheiro de mato. Quero meus amigos sempre por perto e quero falar ainda mais besteira do que o habitual. Quero rir. Quero filosofar e me indignar. Mais do que isso, quero continuar a fazer diferente, a fazer diferença. Mudar para melhor. Cada dia mais. Mas mudar, sempre. Aprender. Ensinar. Perpetuar o que vale a pena.

Quero dinheiro. Não muito, só o suficiente. Quero ter sabedoria para saber quanto é o suficiente. Quero trabalhar, mas não muito também. Tudo o que é demais é demasiado, já dizia a minha avó.

Quero criar. Um novo modo, um novo jeito, uma nova forma, um novo plano, uma história, uma família, sonhos, animais, plantas, uma saída, um refúgio secreto, um momento especial, um tempo só meu, um cantinho só nosso. Um filho.

Quero música. Ah! Como eu quero música! Quero violões e flautas e gaitas e chocalhos e sua voz cantando “I’m a Scientist” pra mim, enquanto dedilha o violão numa tarde quente e preguiçosa, sem camisa e sem preocupações, em cima da cama. 

Quero cantar. Quando canto, entro em combustão. Quando canto, existo. Quero ter o poder de inflamar a alma alheia com o som de minha voz.

Quero arte. A arte é o bálsamo da vida.

Quero amor. Quero tanto amor! Dos amigos verdadeiros que me dão força e estão sempre por perto, mesmo à distância, da minha mãe com sua doçura quase insuportável, dos meus gatos que vem se enrodilhar em minhas pernas, ronronando, da dona da banca de jornais que sempre guarda meus gibis prediletos e às vezes se “esquece” de marcar na minha conta, das minhas crianças e parceiros na ONG, dois pedaços da minh’ alma que vagam à parte do meu corpo…quero o amor. Quero o amor e as surpresas da vida. Essa sua imprevisibilidade que me apaixona cada vez mais.

Quero fazer amor. Fazer amor com o Universo. Quero uma suruba: eu, o Universo e a vida. Nós três num orgasmo cósmico. Um big bang. Delícia!

Quero paz. Quero finalmente aportar meu barco numa ilha desconhecida e fértil, onde o sol se põe tingindo o céu de laranja todos os dias e à tardinha cai aquela chuva quente e abafada. Quero um lugar que rescenda à manga madura e sossego.

Chega de tempestades em alto mar, enjôos, febres tropicais, baixas e naufrágios. Chega do balanço compulsivo das ondas e do vaivém das marés. Chega de lutar com Hidras de sete-cabeças o tempo todo. Chega de ter os lábios queimados pelo sol e o sal.

Quero finalmente por os pés em terra-firme. Senti-la imutável. Impassível. Fixa. Segura. Inabalável. Constante. Definitiva.

Quero saúde e força para realizar e viver tudo isso.

Quero sonhar e transformar: vidas, coisas, a mim mesma. Eternamente.

Quero viver.

Esse blog fica sem atualização até a segunda quinzena de fevereiro – Vou para o meio do mato,  sem celular, sem TV, sem computador e sem estresse. Uhú!







18.1.12

É preciso deixar ir...



Não tenho motivo algum para amá-lo. Amo.
Mas, também sei, que eu preciso me despedir, e deixa-lo ir.
Sou um ser dotado de esperança, e é o que dificulta o desapego, tenho sensações medíocres de que ainda existe algo para descobrir, só que ninguém vai me aplaudir por isso.


Quando estou no silêncio do meu quarto, que agora mais parece um local de massacre, posso acreditar o quanto estou sendo egoísta em não deixar o destino agir, e escrever suas linhas de maneira justa que deve ser, tortas ou não, erradas ou não.


Por não ter um porto seguro minha alma teme, por tanto desprezo sou condenada ao sofrimento solitário de um deserto de cor amarelada, sem nenhum ponto materializado para fixar o olhar. É tudo pó.


Procuro não dormir, não admito que minha mente anseie pelo amanhã, pois nele, nenhum comportamento alegre se manifesta, e assim se constrói uma semana, um mês, há dias que quero dormir logo, pois o sono adormece os sentimentos,e eu verdadeiramente tenho fugido dos meus.


Minha teimosia está dificultando, sei, mas o que fazer se sou eu obrigada, chantageada pelo meu coração?
Não é consciente amar a dor...
Acho que o amor é um tipo de suicídio.






15.1.12

O ciclo do silêncio.



Preciso de sossego, com urgência!
Meu corpo não aguenta mais o ritmo da minh’alma. Preciso ficar horas, dias, sem pensar em absolutamente NADA. Nada, nada, nada. nada.

Quero parar. A primeira semana de 2012  viajei com a família para  Búzios-RJ, mas não foi de férias, nem pra comemorar nada, foi pra dá e receber abrigo, das minhas primas(os) e tias(os). Lance pessoal, que não cabe aqui.

A primeira semana do ano, foi de encontros e desencontros, chegadas e despedidas. De tomar decisões que estavam sendo adiadas. 


O momento atual, é de aceitação e desapego.

Estou entrando em outro ciclo. O ciclo do silêncio. Vivi 1.000 anos e 2.000 vidas. Agora  quero viver uma só. Uma vida lenta e proveitosa. Doce. Como o mel escorrendo do favo.
Uma vida comigo mesma.

shhhhh…silêncio. Não fala nada.
assim…. Silêncio, me abraça e só, só.

Quando estou no silêncio da minha mente, posso acessar um estado que é calma, consciência e maturidade.

Quando esse silêncio se transforma em oxigênio, posso respirar sentimentos bons de paz e aconchego.

Posso desfrutar de um contentamento que mais parece sair do velho tédio e ser... Ser essência, amor e respeito.

No meu silencio nada é corrompido, é tudo suficiente, o calor do meu corpo, o aroma de meus cabelos e o pensamento em você. É, você, ainda continua aqui.

Sinto a necessidade sadia de glorificar meu sorriso, valorizar meus sentimentos, cuidar do meu coração.

Nesse lugar de tranqüilidade não há espaço para pensamentos ruins, tudo é luz é satisfação, tudo é meu, a melodia leve da música e o aroma doce do incenso, compõem essa harmonia.

Tudo em mim, meu, mas sem posse, apenas organizado, apenas bons sentimentos produzidos.

Nessa calma, sou feliz, aquela felicidade que não transgride, existe, e não é transportada para outro lugar é todinha aqui, em mim, no meu quarto.







12.1.12

McCartney e o sentido da vida...


Eram os psicodélicos anos 60. Num quarto de hotel nos EUA, cinco mitos se encontravam: Bob Dylan conhecia os 4 garotos de Liverpool.


Dylan, mais safo (ou seria safado mesmo?) e com um pouco mais de tempo de estrada, em meio a viagens filosóficas, trocas de acordes e experiências sobre música e sobre tudo, tratou de introduzir os meninos a outro personagem notório da época: a maconha.


Seria a primeira vez, seguida de milhares de outras, em que John, Paul, George e Ringo ficariam chapados.


Do alto (bem alto, aliás) da “viagem” de ganja, McCartney,sempre muito sensível, teve um insight e disse ter encontrado “o sentido da vida”.


Pediu a Brian Epstein um bloquinho para anotar sua maravilhosa e revolucionária descoberta, afinal, não é todo dia que se encontra “o sentido da vida” assim, num lampejo, ou melhor, numa baforada.


Escreve, escreve…. a noite se estendeu e Paul largou o bloquinho em cima de uma mesa.


E então todos ficaram brisados, seguindo à risca o conselho de Dylan (ev’rybody must get stoned...) felicíssimos, beberam pra caramba, cantaram baladas dos ídolos Elvis e Woody Guthrie abraçados, disseram uns aos outros que se amavam e…sabe-se-lá-deus que outro tipo de bizarrice rolou naquela madrugada memorável.


Bob se foi, tinha show no dia seguinte. Os meninos ingleses adormeceram. Pela manhã, com a cabeça badalando tal qual o Big Ben, Paul achou o tal bloquinho e lembrou-se de que havia encontrado “o sentido da vida”. Resolveu ler, claro.


Estava escrito: “There are seven levels…” em letras cavalares e borradas.


Eis o sentido da vida, segundo Paul McCartney: “Existem sete níveis…”


Cabe, portanto, a cada um de nós definir de/do que.

(Os fatos narrados aqui são reais, foram retirados do livro Dylan, uma Biografia)














8.1.12

Precisa-se de novos seres humanos para 2012

Que tenham força. E paciência. E sabedoria. E muita ousadia. E coragem, claro, para  nadar contra a eterna,  suja e cada vez maior,  maré de mesmice  que nos encharca, dia após dia, enjoativamente previsível, revoltantemente precisa, acintosamente presente…mas nunca indestrutível.

 Precisa-se de respeito e tolerância. De humanidade. De humildade. Não de falsa e fajuta e egoísta humildade, mas da verdadeira, aquela que nos faz reconhecer nossos limites e falhas, criando assim maior aceitação e perdão, para nós mesmos e para os outros.

 Precisa-se de mais bom humor, menos exigências e cobranças, menos convenções e mais espontaneidade, mais criatividade, mais arte, mais dança, mais sexo, mais amor, menos dor.

 Somos o resultado das regras que nós mesmos criamos e  aceitamos.

Reveja, reforme, reinvente, renove.

Renasça. 
Reviva. 
Realize.








5.1.12

Tudo bem...


Oi, tudo bem, só vim dizer que o tempo é ótimo, ele une, faz com que a gente tenha intimidade e cumplicidade. Mas o tempo também faz a gente aprender certas coisas sobre o outro. E também nos mostra umas certas verdades, entende?

Oi, tudo bem, eu só queria te falar que alguns comportamentos me assustam. Outros me ferem. E não acho legal a gente ferir de propósito quem ama. Acho feio, acho chato, acho ruim. Você não tem motivo para me deixar preocupada ou incomodada. Você não tem motivo para descontar em mim coisas que não vão bem.


Oi, tudo bem, só queria deixar claro que nem sempre faço o certo. Às vezes tento fazer o melhor para você e muitas vezes as coisas dão errado, porque eu sou meio errada. Mas tudo bem, você também é e acho que todo mundo erra sempre ou pouco ou muito, mas a quantidade de erros nem importa, o que importa é o que a gente carrega dentro, é a vontade que tem de fazer o certo, por mais errado que dê, que seja.


Oi, tudo bem, só queria falar que o amor é a coisa que mais importa. Mesmo que às vezes seja rotina, que seja normal, que seja comum, que não tenha fogos de artifício, que não tenha champagne e chocolates e diamantes e ouro.


Oi, tudo bem, só quero que você não me coloque no mesmo saco. Se a sua mãe está incomodando, se o trabalho está chato, se a sua vida está cansativa, se você está com um fungo no pé, se a sorte não anda batendo na sua porta, desculpa, mas não me culpe. Eu posso e devo te ajudar. E faço isso com toda a paciência, com todo amor, com toda dedicação. Mas não comece a catar coisas erradas, a procurar falhas, defeitos, coisas que incomodam. Não faça isso de novo. Porque tem coisas que magoam.


Oi, tudo bem. Não está nada bem. E você devia pensar antes de ensaiar coisas assim novamente. E você deveria me conhecer o suficiente para saber o quanto essas coisas vão destruindo outras. Mas tudo bem. Tudo sempre fica bem.